UE defende criação do Pacto Ecológico Africano

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu na passada sexta-feira a criação de um Pacto Ecológico Africano que, à semelhança do Pacto Ecológico Europeu, seja a “peça central” para a recuperação do continente africano.

Intervindo, através de uma mensagem gravada, na sessão de abertura do Fórum UE-África sobre Investimento Verde, Ursula Von der Leyen apontou o Pacto Ecológico Europeu como a “nova energia para o crescimento e a peça central da recuperação” da União Europeia (UE). Como tal, a líder do executivo comunitário acredita que “o mesmo pode ser verdade para África”, através da criação de “um Pacto Ecológico Africano para uma África mais forte e próspera”.

“A transição verde não é apenas uma necessidade para combater as alterações climáticas. A transição verde é a maior oportunidade económica dos nossos tempos e pode ser o motor da nossa recuperação, simultaneamente na Europa e em África”, salientou.

Von der Leyen deu o exemplo das energias renováveis que, “neste momento, são mais baratas do que a maioria das outras fontes de energia e criam mais empregos”, assinalando que, com o “investimento certo”, poderão “impulsionar a crescente indústria de África”.

“O potencial da economia verde em África é enorme: desde a gestão de resíduos à agricultura inteligente face ao clima, o investimento verde pode ser o combustível da recuperação de África”, continuou.

Destacando algumas “iniciativas importantes” como a Aliança Africana para a Economia Circular e o Programa Estímulo Verde Africano, a presidente da Comissão Europeia afirmou que pretende discutir com os governos africanos “como é que a Europa pode ser parceira de África” nesses projetos.

Nesse sentido, Von der Leyen abordou o trabalho conjunto entre a UE e o Banco Europeu de Investimento que visa “cobrir o risco do investimento verde em África, assumido quer por investidores privados, quer por governos de países africanos”.

A responsável concluiu a sua intervenção sublinhando que “o investimento verde é um interesse comum europeu e africano”, sendo agora altura “de discutir como mobilizá-lo mais, especialmente antes da COP26 e da Cimeira UE-África”.

A COP26 será a 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, estando programada para ser realizada na cidade de Glasgow, na Escócia, entre os dias 1 e 12 de novembro de 2021.

Guterres diz que é preciso acelerar investimento em renováveis em África

Já o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse, no mesmo âmbito, que a ação climática representa uma oportunidade de investimento de três biliões de dólares em África até 2030, sublinhando a urgência de acelerar a aposta em energias renováveis.

“A ação climática é uma oportunidade de investimento de três triliões de dólares em África até 2030”, disse António Guterres, assinalando que, apesar de o continente africano ser o mais rico em recursos solares, concentra apenas 2% do investimento em energias renováveis.

O secretário-geral das Nações Unidas assinalou a convergência de agendas para o “financiamento da transição verde e de uma maior resiliência” climática, considerando que a Europa será “um parceiro-chave” de África neste processo.

“África enfrenta uma procura crescente de consumo de energia industrial e doméstica, procurando ao mesmo tempo promover o desenvolvimento sustentável e implementar a Agenda 2063”, disse.

“A União Europeia comprometeu-se a alinhar a sua recuperação pandémica com objetivos climáticos reforçados para 2030 e a deixar de financiar infraestruturas de combustíveis fósseis no estrangeiro”, acrescentou.

Por isso, defendeu Guterres, numa altura em que vários países africanos estão a reforçar a aposta em energias renováveis, particularmente solar e eólica, é o momento de “acelerar o investimento” nestas áreas.

O secretário-geral da ONU apontou como uma das prioridades de investimento, a conjugação da criação de emprego com as tecnologias verdes, nomeadamente no setor das renováveis.

“O desenvolvimento das capacidades técnicas das mulheres e dos jovens africanos para estes novos postos de trabalho permitiria simultaneamente combater o desemprego e a crise climática”, disse.

Defendeu também como essencial, criação de incentivos às indústrias para adotarem soluções de energia verde e a aposta em empresas “start up”, fornecendo garantias de risco para os investidores privados.

Por outro lado, advogou, para que seja assegurado, pelas doações bilaterais e multilaterais, que “50% de todo o financiamento público para o clima seja dedicado à adaptação e à facilitação do acesso ao financiamento”.

Para Guterres, estas medidas, são “cruciais para a proteção dos ganhos de desenvolvimento e para assegurar uma prosperidade equitativa a longo prazo”.

A iniciativa, decorre em formato misto presencial e virtual, e conta ainda com participações, entre outros, do presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, do primeiro-ministro português, António Costa, do empresário e filantropo sudanês Mohamed Ibrahim e do economista guineense Carlos Lopes.

O papel da Europa na transição para uma economia verde no continente africano é o tema do Fórum de Investimento Verde UE-África, que junta esta sexta-feira decisores políticos, setor privado e representantes da sociedade civil europeus e africanos.

O fórum encerra um mês de diálogo entre europeus e africanos sobre desenvolvimento sustentável e investimento verde promovido pela presidência portuguesa do Conselho da UE com a realização de 23 conferências virtuais, designadas “Green Talks”, que arrancaram em 24 de março a partir de Dacar, capital do Senegal.