País pode atingir neutralidade carbónica antes de 2050

Portugal pode atingir a neutralidade carbónica antes de 2050, segundo um estudo ontem divulgado, em que se preconiza um investimento inicial recuperável a longo prazo.

No estudo, elaborado pela consultora McKinsey&Company, defende-se que Portugal precisa de acelerar as tendências recentes de descarbonização e que tem condições para “descarbonizar mais rapidamente e a um menor custo do que a União Europeia“. “Portugal pode atingir a neutralidade carbónica antes de 2050, enquanto alcança oportunidades de crescimento”, lê-se no documento.

Para acompanhar o objetivo de redução da União Europeia de 55% até 2030, em comparação com os níveis de 1990, Portugal “necessita de acelerar as tendências recentes de descarbonização em 20%”, sugerem os autores do relatório.

O objetivo “net zero”, sugerem, pode ser atingido antes de 2050, “dado o potencial de descarbonização a baixo custo que Portugal apresenta, relativamente aos restantes países europeus“.

“Portugal tem condições para descarbonizar cerca de 50% até 2030, dada a posição mais favorável do setor eletroprodutor, a maior penetração de veículos elétricos, assim como um maior potencial da floresta para sequestro de emissões”, justificam.

Estas metas implicam que o país aumente a capacidade elétrica renovável, estimule a adoção de veículos elétricos e o desenvolvimento de novas cadeias de valor, como o hidrogénio verde, combustíveis de baixo carbono e CCUS (captura, utilização e/ou armazenamento de carbono).

“É também necessária uma abordagem estratégica à floresta e ao uso do solo, bem como uma ação decisiva dos setores privado e público e da sociedade civil”, recomenda-se no documento.

O investimento necessário, de acordo com a empresa, poderá ter um peso de cerca de 7% do PIB, maioritariamente redirecionado de tecnologias com elevada pegada carbónica. Por outro lado, poderá criar “oportunidades de crescimento até 10-15% do PIB português“.

O trabalho foi elaborado com a colaboração da BCSD Portugal, que se apresenta como uma associação sem fins lucrativos que representa mais de 100 empresas, e segundo a qual são necessárias cinco a seis vezes mais adições anuais de capacidade eólica e solar para “eletrificar a economia, adotar novas tecnologias em larga escala, melhorar a gestão das florestas, dos solos e dos resíduos, rever as políticas e os incentivos públicos”, bem como novos comportamentos por parte dos portugueses.

O clima mediterrânico, dizem, está em risco com o caminho atual, que ameaça especialmente os setores do turismo e da agricultura, com “um potencial de mais de seis meses de seca por ano até 2050” e aumento do número de dias com temperaturas acima dos 37 graus.