Plano de contingência da Xylella fastidiosa atualizado

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) atualizou o plano de contingência da bactéria Xylella fastidiosa. As alterações foram feitas de forma a estabelecer medidas para impedir a introdução e propagação na União Europeia de Xylella fastidiosa.

Esta é uma bactéria que tem um largo espectro de hospedeiros e foi descrita pela primeira vez em 1987, mas a doença que provoca nas videiras já tinha sido observada no final do século XIX nos Estados Unidos. Essa doença pode provocar prejuízos avultados no sector da vinha.

Até meados da década de 90 do século XX esta bactéria ficou restrita ao continente americano, mas em 1994 foi encontrada em Taiwan e no Irão. Apareceu pela primeira vez na Europa em 2013 em Itália e afetou várias oliveiras numa vasta área e plantas da espécie de loendro, amendoeira e do género Quercus. Em 2015 foi detetada em França e em 2019 chegou a Portugal.

Este novo plano da DGAV tem como objetivo “estabelecer um conjunto de ações com vista a garantir uma rápida e eficaz resposta em caso de deteção da Xylella fastidiosa”, revela o documento.

No documento indica-se que estão previstas a realização de “prospeções quer em plantas quer em potenciais vetores da bactéria com recolha de amostras para identificação e análise laboratorial, e controlos na importação”.

Esta bactéria causa danos graves em oliveiras, citrinos, videiras, fruteiras, loendros, entre outras plantas, incluindo ornamentais. Os sintomas encontrados nas plantas variam conforme o hospedeiro, mas geralmente estão associados ao stress hídrico como a murchidão, queimaduras ou até morte da planta. Contudo, muitas plantas podem até não apresentar sintomas de infeção.

O plano de contingência prevê que “devem ser realizadas ações de formação, de divulgação e de sensibilização, bem como estabelecidos os procedimentos a seguir em caso de destruição e queima de material vegetal”.

Nesta nova atualização estão também indicadas “as circunstâncias e os procedimentos a seguir para a notificação dos produtores e proprietários de vegetais infetados”, bem como a “necessidade de serem publicitados Editais e das medidas a tomar em caso do não cumprimento das medidas de proteção fitossanitária notificadas”.

Xylella fastidiosa transmite-se de árvore em árvore através de insetos que pertencem à ordem Hemiptera, como cigarrinhas, que tanto na fase de larva como na adulta se alimentam de seiva. Se um destes insetos sugar seiva de uma árvore infetada e depois o fizer numa árvore normal, acabará por infetá-la. Quando atinge a planta, a bactéria começa por colonizar a madeira, depois espalha-se pela árvore e acaba por entupir o seu sistema de circulação de fluidos. No caso das oliveiras, as plantas acabam mesmo por murchar desde a raiz até à copa.

Em distâncias longas, a principal via de dispersão desta bactéria é através do comércio de plantas contaminadas. Contudo, material vegetal como a madeira, frutas e folhagem ornamental têm baixo risco de transmissão. Também pode ser transferida através da enxertia entre partes das plantas contaminadas e existem algumas provas de que – embora com baixo risco – pode ser transmitida através de instrumentos de poda na videira.

Esta é uma doença que ainda não tem tratamento. Por isso, a única forma de parar a evolução da doença é o abate das árvores infetadas ou evitar a contaminação através do diagnóstico precoce.

O documento da DGAV pode ser consultado aqui.