Novos genes podem ajudar a combater pragas

Um estudo, divulgado no Cell e noticiado pela Nature, identificou o primeiro gene conhecido que foi transferido de uma planta para um inseto. A descoberta que a mosca branca utiliza um gene roubado de uma planta para iludir as defesas do hospedeiro pode ajudar em novas estratégias de controlo de pragas.

A investigação revela que a mosca branca Bemisia tabaci utiliza um gene que roubou das plantas para neutralizar uma toxina que algumas plantas produzem para defender-se contra insetos. Os primeiros trabalhos sugerem que inibir este gene pode tornar as moscas brancas vulneráveis à toxina, fornecendo uma hipótese de combater a praga.

Em declarações à Nature, o investigador de interações entre plantas e pragas na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos da América, Andrew Gloss, disse que “isto expõe um mecanismo através do qual podemos inclinar a balança a favor da planta”. “É um exemplo notável de como estudar a evolução pode informar novas abordagens para aplicações como a proteção de culturas”, acrescenta.

Descoberta

O entomologista Youjun Zhang, da Chinese Academy of Agricultural Sciences, em Pequim, e os seus colegas estavam a analisar o genoma B. tabaci por genes roubados até que encontraram um que parecia ter evoluído não a partir de outros insetos ou micróbios, mas de plantas.

Estudos mais aprofundados mostraram que o gene consegue transferir um grupo químico para os compostos fenólicos. Esses compostos são produzidos por várias plantas, incluindo o tomate, para afastar pragas. Mas a modificação feita pelo gene da mosca branca deixava-os inofensivos.

Para testar a hipótese, a equipa programou o tomate para produzir uma molécula de ácido ribonucleico (ARN) capaz de inutilizar o gene da mosca branca. Quase todas as moscas brancas que se alimentaram desse tomate adulterado morreu.

Este resultado sugere um novo meio de atacar as moscas brancas, afirma o ecologista químico do Max Planck Institute for Chemical Ecology, na Alemanha, Jonathan Gershenzon. “Oferece uma enorme oportunidade de ser específico”, afirmou. “Pode-se manter as moscas brancas longe, mas não prejudicar insetos benéficos, como polinizadores”, acrescentou.