Níveis de segurança alimentar na UE divergem

Os países europeus tiveram desempenhos distintos num estudo que mede o estado da segurança alimentar no Mundo, mostrando uma discrepância dentro da União Europeia (UE).

Desenvolvido pela Economist Intelligence Unit, o Índice Global de Segurança Alimentar destaca os fatores que afetam a segurança alimentar em mais de uma centena de países em todo o planeta.

Os desempenhos dos países são classificados no índice considerando elementos do sistema alimentar, como acessibilidade, disponibilidade, qualidade e segurança, bem como recursos naturais e resiliência.

A nona edição do relatório, divulgada hoje, confirmou a Europa como o continente com a mais países dentro do top 20 de segurança alimentar no mundo, com a Finlândia, Irlanda e Países Baixos a chegarem ao pódio.

Apesar dos bons resultados de alguns países, a Europa tem apenas o segundo melhor ambiente de segurança alimentar, sendo superada pela América do Norte no índice deste ano.

“Isto ocorre porque há uma discrepância dentro da UE”, disse Pratima Singh, coordenadora do projeto da The Economist Intelligence Unit.

A investigadora explicou que o nível de segurança alimentar na UE não é uniforme porque os desempenhos nos países mediterrânicos e na Europa Central e de Leste são significativamente inferiores aos da Europa Ocidental e do Norte.

Bulgária, Eslováquia e Hungria são os países com classificação mais baixa na UE, obtendo, respetivamente, 44º, 40º e 36º lugar na classificação de segurança alimentar mundial.

Produção mais instável do mundo

Os estados-membros da UE têm um bom desempenho geral, mantendo altas pontuações quando se trata do acesso equitativo aos recursos alimentares.

A UE continua também a liderar em diversidade alimentar e disponibilidade de nutrientes e embora os padrões de segurança alimentar permaneçam elevados em toda a União, são necessários mais investimentos em infraestruturas em países como a Romênia.

De acordo com Igor Teslenko, presidente da filial europeia da empresa agrícola Corteva, que patrocinou o índice deste ano, a maior vulnerabilidade da Europa a condições climáticas extremas, como secas e inundações, é uma das principais vulnerabilidades identificadas pelo relatório.

Em 2018, a produção de cereais e vegetais na Dinamarca e na Suécia foi reduzida a metade devido à seca, levando à pior colheita em 50 anos.

As alterações climáticas estão a tornar a produção agrícola na Europa mais frágil do que em outras regiões do mundo, segundo o relatório.

O estudo também reconheceu que a Europa é a região líder no que diz respeito ao compromisso político para o combate às alterações climáticas.

À prova de choque e perda de comida

Um ponto positivo vem da área de desperdício de alimentos, onde pelo terceiro ano consecutivo o Velho Continente foi considerado líder mundial.

A Irlanda é o país com o melhor desempenho na gestão do desperdício de alimentos, graças ao trabalho conjunto realizado entre o governo e organizações da sociedade civil. A Bulgária e a Grécia continuam a ser duas exceções na UE, com um desempenho inferior ao da média global.

Embora estejam sob pressão devido à pandemia de Covid-19, as redes de segurança alimentar nos países europeus provaram ser robustas, mostrou o relatório.

Aumentos nos preços dos alimentos foram observados na Hungria, Portugal e Bélgica, onde foram atribuídos principalmente a interrupções na cadeia de abastecimento e ao aumento da procura na sequência da crise pandémica.