Marinha cede navio para criação de recife nos Açores

A Marinha Portuguesa cedeu ontem o navio desativado Schultz Xavier para a criação de um recife artificial nos Açores, que vai permitir “regenerar e estudar a vida marinha da região”.

Ontem, 7 de junho, foram assinados os protocolos de cedência do navio desativado Schultz Xavier, bem como o memorando de entendimento entre o Governo dos Açores e a Parley Foundation For the Oceans, que irá criar um recife artificial a partir do afundamento do navio.

Ainda não há uma localização fechada para o afundamento deste navio, já que várias autarquias açorianas mostraram interesse no projeto, mas a fundação ambientalista Parley For the Oceans espera ter o processo concluído no final de 2022.

A operação acontecerá em “estrito cumprimento das normas ambientais para o afundamento de navios”. Esta não é a primeira vez que a Marinha Portuguesa disponibiliza um dos seus equipamentos, tendo já cedido no passado quatro navios à região do Algarve e dois à Região Autónoma da Madeira.

A diretora da organização responsável pela criação do recife, Daniela Coutinho, defendeu que “a proteção do oceano” e dos seres que nele habitam “assegura, acima de tudo, a nossa liberdade”, já que “sem recursos não há liberdade”.

Com esta ação, a fundação global formaliza a sua presença em Portugal, com um protocolo que pretende, entre outras coisas, “promover, dentro das competências dos signatários, a cooperação institucional, técnica e científica” e promover o “combate às alterações climáticas e a proteção da biodiversidade”.

Será promovido um “programa de arte, que consistirá, primeiramente, na criação de um recife artificial a partir do afundamento do navio”, bem como a realização de workshops e vários projetos de sensibilização, envolvendo vários setores da sociedade, incluindo as escolas.

A Parley For the Oceans luta pela proteção dos oceanos e da sua biodiversidade e quer “formar uma nova mentalidade de consumo” através das “indústrias criativas”, que têm “as ferramentas para moldar a realidade e desenvolver modelos de negócio alternativos e produtos ecológicos”, lê-se no ‘site’ da organização.